Passados alguns dias seu Ribeiro demitiu-se.
— Está falando sisudo, seu Ribeiro?
— Esta casa me provoca recordações muito pungentes.
— E a mim, homem. Que diabo! Mas a sua saída é tolice.
— Não duvido, senhor Paulo Honório, não duvido.
— Ofereceram-lhe algum emprego?
— Nenhum.
— Então! É tolice. E o pior é que nem lhe posso dar uma recomendação. O senhor com essa idade não se coloca. Felizmente está aqui há anos e tem feito economia. Vai retirar uma fortuna. Sempre dá para ir roendo.
— Levo muita saudade, senhor Paulo Honório — gemeu seu Ribeiro limpando os olhos. — Saudade cruciante. Parto com o coração dilacerado.
— Pois não vá, homem. Todos gostam do senhor. Fique.
— Impossível, inteiramente impossível. A minha resolução é inabalável.
— Está bem.
E olhei com tristeza o escritório, mais desatravancado depois que a banca de Madalena tinha sido afastada para um canto.
Assim o excelente seu Ribeiro, que eu esperava enterrar em S. Bernardo, foi terminar nos cafés e nos bancos dos jardins a sua velhice e as suas lembranças.